Criciúma, com seus 235 mil habitantes, cresce sobre camadas de história geológica que nem sempre são visíveis a olho nu. A cidade, situada no sopé da Serra Geral a uma altitude média de 46 metros, possui um subsolo marcado por solos residuais de basalto e arenito, além de depósitos coluvionares nas encostas. Nos últimos anos, acompanhamos uma expansão imobiliária significativa nos bairros Pio Corrêa e Próspera, onde a variabilidade do perfil geotécnico exige uma investigação criteriosa antes de qualquer fundação. A sondagem a trado, também conhecida como calicata exploratória, é o ponto de partida para entender essas condições. Em nossa rotina de laboratório, vemos que a coleta indeformada e a inspeção tátil-visual dos primeiros metros do subsolo evitam surpresas com aterros antigos de rejeito de carvão, comuns na região. Para projetos que exigem ensaios de resistência mais profundos, combinamos frequentemente a tradagem com o ensaio CPT, que fornece um perfil contínuo da resistência de ponta sem perturbar a amostra, ideal para correlacionar os horizontes identificados manualmente.
O perfil de sondagem a trado em Criciúma não é apenas um furo no chão: é a primeira página da história geotécnica que vai ditar a segurança de uma fundação.
Metodologia e escopo
Fatores do terreno local
Comparando o comportamento do solo no bairro Santa Bárbara, sobre a Formação Palermo, com o do bairro Rio Maina, que se estende sobre depósitos aluvionares da bacia do rio Criciúma, as diferenças são gritantes. Enquanto o primeiro apresenta solos siltosos mais estáveis, o segundo frequentemente revela camadas de argila mole e saturada, com baixíssima capacidade de suporte. Ignorar essa heterogeneidade ao executar uma fundação rasa é o risco mais comum que testemunhamos. Já vimos obras em que o construtor confiou em uma sondagem antiga do vizinho e se deparou com lentes de turfa a apenas 2,5 metros de profundidade, um material orgânico que compromete seriamente a estabilidade de sapatas. A tradagem manual permite identificar essas transições bruscas de forma direta, classificando o material extraído in loco, e quando a presença de rejeito carbonoso é confirmada, recomendamos complementar com uma análise de granulometria para quantificar a fração fina e avaliar o potencial de colapso do material de aterro.
Marco normativo
ABNT NBR 9603:2015 – Sondagem a trado – Procedimento, ABNT NBR 6484:2020 – Solo – Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio, ABNT NBR 6122:2019 – Projeto e execução de fundações
Outros serviços relacionados
Ensaios de Caracterização Física
Determinamos a umidade natural, limites de Atterberg (liquidez e plasticidade) e análise granulométrica por peneiramento e sedimentação, essenciais para classificar solos siltosos e argilosos da região.
Ensaios de Resistência ao Cisalhamento
Realizamos ensaios de cisalhamento direto e compressão triaxial CIU e CID em amostras indeformadas coletadas na tradagem, para obter a coesão e o ângulo de atrito de projeto.
Ensaios Químicos e de Agressividade
Analisamos o pH e o teor de sulfatos no solo e no lençol freático, uma precaução indispensável em áreas de antigas minerações de carvão para prevenir o ataque químico ao concreto.
Elaboração de Boletim Técnico
Emitimos um relatório final que compila a estratigrafia do subsolo, a classificação unificada dos solos (SUCS) e as recomendações para o tipo de fundação mais adequado ao terreno investigado.
Parâmetros típicos
Perguntas e respostas
Qual a diferença entre sondagem a trado e sondagem SPT em Criciúma?
A sondagem a trado é um método manual para investigação superficial, geralmente até 3 ou 5 metros, ideal para fundações rasas como sapatas e blocos. Ela coleta amostras deformadas para classificação tátil-visual. Já a sondagem SPT (Standard Penetration Test) é mecanizada, atinge maiores profundidades e mede o índice de resistência à penetração (NSPT), sendo obrigatória para obras de maior porte. Em Criciúma, costumamos iniciar com a tradagem e, se o perfil indicar solo mole ou necessidade de fundação profunda, recomendamos complementar com o SPT.
Quanto custa uma sondagem a trado em Criciúma?
O investimento para uma sondagem a trado em Criciúma varia conforme a profundidade investigada e a quantidade de furos. Para um furo único com até 5 metros de profundidade, o valor se situa na faixa de R$1.050 a R$1.890. Para campanhas com múltiplos pontos, podemos elaborar uma proposta técnica personalizada que otimiza o custo por metro linear perfurado.
A sondagem a trado consegue identificar rejeito de carvão?
Sim, e esse é um dos motivos pelos quais a tradagem é tão relevante no contexto geológico de Criciúma. Durante a perfuração, o operador experiente identifica visualmente a presença de material carbonoso, fragmentos de pirita e cinzas vulcânicas típicas dos rejeitos da mineração. Ao identificar essas camadas, coletamos amostras para ensaios complementares de pH e sulfatos, pois esses materiais podem gerar expansão e ataque químico às fundações.
Qual a norma que rege a sondagem a trado?
O procedimento é regido pela ABNT NBR 9603:2015, que especifica o método de execução com trado concha ou helicoidal. Além disso, a apresentação dos resultados segue as diretrizes da ABNT NBR 6484:2020, garantindo que o boletim de sondagem esteja padronizado para o engenheiro projetista.
Em quais bairros de Criciúma a sondagem a trado é mais recomendada?
A tradagem é particularmente recomendada nos bairros de expansão urbana sobre terrenos com histórico de aterro ou mineração, como partes do bairro Próspera e áreas próximas ao Morro Cechinel. Também é muito útil no bairro Rio Maina, onde os depósitos aluvionares do rio Criciúma podem esconder camadas de solo mole. Em terrenos inclinados do bairro São Luiz, a tradagem ajuda a mapear a espessura do colúvio antes de escavações.
